Alexandre Kanas
Foi uma experiência de vida ímpar.
Tivemos contato com a mais alta tecnologia existente no mundo, com a
oportunidade de realmente utilizar os equipamentos (hands on) para
realizar experimentos, sempre orientados e supervisionados por
cientistas de alto nível. Eles estavam sempre a nossa
disposição, com o maior prazer em nos ensinar.
Todos os dias havia também, no final da tarde, uma palestra
sobre algum tema científico palpitante, dada por professores
especialistas, e também bastante didáticos.
Foi uma incrível iniciação científica, a
qual nós não poderíamos nunca ter acesso a
não ser por esta iniciativa do Instituto Weizmann e do
patrocínio do grupo de amigos do Instituto Weizmann.
Tão importante como a parte científica foi o contato e a
integração de mais de 70 jovens universitários
judeus e não judeus de 15 países ao redor do mundo.O
programa enfatiza e estimula esta integração e pudemos
fazer grandes amizades.
Pela qualidade dos participantes (havia universitários de Yale,
Oxford, Harward, Cambridge, Paulista e USP) existe uma grande chance de
uma boa parte deles estar chefiando laboratórios de pesquisa ao
redor do mundo dentro de 15-20 anos. E, se soubermos cultivar a amizade
desenvolvida no Weizmann, eu consigo imaginar a
integração que possa vir a existir entre um pesquisador
dos Estados Unidos com um da Inglaterra, outro do Brasil e outro do
Cazaquistão, facilitando estudos multicêntricos e
permitindo uma melhor globalização e
evolução da ciência no mundo. Apenas este efeito
secundário já justificaria a existência do ISSI nos
próximos 200 anos.
A prova para participação no ISSI é feita
totalmente em Inglês, justamente para selecionar candidatos que
já dominem a língua. O curso é dado em
Inglês e, pela grande variedade das nações
participantes, só conversávamos entre nós nesta
língua. Portanto, além do aspecto científico, o
ISSI proporcionou um grande incremento na qualidade do meu
Inglês, muito maior, inclusive, do que ocorreu em um curso de
Intercâmbio que tive a oportunidade de fazer no Canadá.
Em termos científicos, o projeto em que trabalhei e a
experiência adquirida serão de grande valia para meu
futuro, independente da área da medicina na qual eu for atuar. O
conhecimento trazido por nós três brasileiros, aliado ao
que será trazido pelos próximos participantes do ISSI,
poderá ter um papel importante e, com certeza, contribuir para o
futuro da pesquisa no Brasil.
O programa inclui ainda algumas viagens de fim de semana para
conhecermos algumas partes de Israel. Conhecemos o Norte,
Jerusalém, Eilat, o mar Morto e o deserto do Neguev, onde
realizamos alguns experimentos científicos e estudamos a
biodiversidade local.
Foi minha primeira visita (espero que de várias...) a Israel e,
sinceramente, acho que não poderia haver oportunidade melhor,
pois além de conhecer as belezas e o povo, tive a chance de
conviver com tecnologia de alto nível em um Instituto com
laboratórios de excelente qualidade. Como único judeu
entre o grupo brasileiro, fiquei muito orgulhoso ao ver como Israel,
apesar de todas as guerras e dificuldades, segue desde a sua
fundação sendo um país democrático, com um
povo feliz, estando sempre em constante desenvolvimento e estimulando
sempre a pesquisa de ponta.
É também muito interessante a característica
altruísta do Instituto Weizmann de compartilhamento da
ciência, o que recebe grande destaque, ainda mais em um mundo
globalizado e competitivo como o atual. Isso ajuda a divulgar,
não só o Instituto, mas também o Estado de Israel
para o restante do mundo, mostrando seu alto nível
tecnológico e fazendo desaparecer o estereótipo de
país perigoso. No começo do curso, vários colegas
comentavam seu receio a atentados terroristas, mas, apenas em um
mês, vimos que a segurança permite que a vida israelense
transcorra normalmente e sem medos.
No final deste ano haverá uma confraternização
marcando os 40 anos da existência do ISSI. É
incrível como, em apenas um mês, o Instituto Weizmann
consiga nos incutir uma espécie de amor, pois já estou
com saudades e já me sinto um amigo do Instituto Weizmann.
A princípio planejo ir a esta confraternização dos
40 anos do I S S I, onde, além de reencontrar e reforçar
a amizade com os meus colegas de curso, tenho certeza que conhecerei
grandes cientistas do mundo todo, alguns até com premio Nobel,
com os quais eu já tenho algo em comum:
Somos todos amigos do Instituto Weizmann.
Caio Marco Bego
O programa ISSI 2008 do Instituto Weizmann me enriqueceu de diversas
formas, e vai deixar muitas saudades. Durante o mês em que o
programa durou, não só pude participar da
construção de conhecimento em um projeto pioneiro, mas
também fiz muitas amizades. Posso dizer que a bagagem cultural
com que voltei ao Brasil é inúmeras vezes mais pesada do
que quando embarquei para Israel.
Ainda tenho nítidos na memória muitos momentos, e
acredito que assim permanecerão mesmo com o passar das
décadas. Não há como esquecer a vista da cidade
velha de Jerusalém, com igrejas, mesquitas e sinagogas que podem
ser registradas em uma única fotografia. O mesmo para os 72
participantes boiando nas águas salgadas do mar morto,
observando as montanhas da Jordânia no horizonte, e a noite em
que dormimos a céu aberto no deserto da Judéia.
A maior parte das bolsas para estudar no exterior são destinadas
a pesquisadores da pós-graduação. Ainda estou na
graduação, ainda não sou cientista e se não
bastasse sou calouro na faculdade. Agradeço sinceramente aos
amigos do Instituto Weizmann pela raríssima oportunidade. O mais
interessante da experiência como um todo foi que, enquanto o
projeto no laboratório confirmava minha vontade de seguir uma
carreira acadêmica, aprendia muito sobre Israel e a cultura
hebraica nas viagens de final de semana, o que foi simplesmente
fantástico. Realmente espero que o programa continue por muitos
anos para que outros também tenham o privilégio de
vivenciar grande parte do que nós, os três participantes
Brasileiros de 2008, vimos, sentimos e aprendemos.
Larissa Valdemarin Bim
Passar um mês em
Israel... Apesar de eu já ter sido selecionada, isso
não parecia muito real. E no começo eu ainda estava um
pouco apreensiva, tinha medo de não corresponder às
expectativas de todos, mas tudo mudou a partir do momento em que
chegamos lá.
O Instituto é um lugar muito bonito, todo arborizado, fomos
muito bem cuidados, os dormitórios eram ótimos e as
refeições também. Tudo era muito bem organizado e
programado e era esperado que tivéssemos responsabilidade
suficiente pra cumprir nossos deveres e horários.
Os dias que passamos no laboratório foram muito produtivos. Como
era a primeira vez que eu efetivamente trabalhava em um
laboratório eu pude aprender muitas coisas novas, tanto no lado
da ciência como no lado da dinâmica de uma vida dentro de
um laboratório. Meu mentor foi um fator muito importante, porque
ele foi muito paciente e atencioso comigo em todos os momentos, sempre
explicando tudo com muita clareza e me ensinando muitas coisas que
estavam alem do necessário ao meu projeto. O fato é que
ele realmente gosta do que faz e isso é sempre contagiante.
Fazer o relatório foi um desafio pra mim, não que eu
nunca tivesse feito isso antes, mas eu estava sozinha (minha dupla
havia trocado de projeto logo no primeiro dia), e demorei bastante pra
escrever as 6 folhas pedidas, novamente meu mentor me ajudou muito, ele
explicava as coisas pra mim de jeitos diferentes pra ficar mais
fácil de entender, e também me ajudava a achar o melhor
jeito de explicar os procedimentos toda vez q eu empacava no
inglês. Quando eu terminei e imprimi meu relatório eu
olhei pra ele e me deu uma sensação de orgulho muito
grande, eu pensei “Nossa... fui eu que fiz!” – foi
muito legal! – A apresentação foi muito
tranqüila, como eu sempre tive problemas com públicos eu
já estava nervosa antes de começar, mas na hora que eu
subi lá eu me surpreendi com o fato de eu estar bem menos
nervosa do que eu achei que ia estar e apresentei bem melhor do que o
esperado (pelo menos pra mim). O clima ajudou bastante, era bem
descontraído, apesar de a coordenadora de biologia ser bastante
rigorosa.
Fora do laboratório tudo era festa. Pudemos conhecer muitas
pessoas de várias partes do mundo, várias culturas, e o
programa em sí oferecia todas essas oportunidades, mostrando pra
nós, nos dias livres, um pouco mais sobre a cultura e o estado
de Israel. Essa foi uma parte que pra mim contou bastante, eram
momentos de relaxamento (ou não, já que a gente
não dormia durante a semana e menos ainda nos fim de semana
– foi bem exaustivo, mas eu não faria diferente.), de
interação, de diversão, sem nunca deixar de lado a
aprendizagem, tanto com os guias sobre Israel, quanto com as outras
pessoas sobre fatos diversos.
Posso dizer que eu voltei de Israel diferente, mais aberta a novas
experiências, com mais vontade de aprender, descobri que eu
gostei muito de trabalhar com imunologia e que talvez Biomedicina seja
mesmo uma carreira pra mim. Foi com certeza uma viagem de aprendizados
e superações em muitos aspectos – descobri que eu
posso fazer muito mais do que eu achava ser capaz.
Muito Obrigada a todos que nos proporcionaram, direta ou indiretamente,
essa experiência maravilhosa e com certeza única. Muito
obrigada por confiarem e acreditarem em mim.
Muito Obrigada.
Fabrício Ferreira

Estive no ISSI em julho de
1996. Depois disso, continuei meus estudo na área de Engenharia
Elétrica na Escola Politécnica da USP,onde também
participei em um projeto de iniciação científica
na área de inteligência artificial.
No ano de 1999 fui para a Alemanha
para participar do programa de graduação sanduíche
da CAPES/DAAD. Passei um ano e dois meses na Alemanha, aprendendo o
alemão e realizando parte de meus estudos de
graduação em Engenharia Elétrica na TU-Muenchen
(Universidade Técnica de Munique).Aí realizei
também um estágio na empresa Siemens na área de
telecomunicações.
De volta ao Brasil em 2000, segui
com meus estudos realizando em 2001 meu estágio supervisionado
na empresa Siemens, em São Paulo, na área de TI (banco de
dados).
De 2002 a 2003 trabalhei na SMZ,
uma pequena empresa de consultoria em automação de
sistemas de transporte ferroviários.Em
outubro de 2003 voltei para a Alemanha para realizar um mestrado na
área de tecnologia da informação (com foco em
processamento de sinais) na HS-Mannheim (antiga FH-Mannheim), com o
patrocínio da empresa Siemens. O curso foi concluído com
uma monografia realizada em parceria com essa mesma empresa, no
departamento CT PS 6 (Sensor Systems), na área de ultrassom para
teste não-destrutivo de materiais.
Desde 2005 trabalho como engenheiro de desenvolvimento no departamento
onde realizei a minha tese de mestrado, na Siemens em Erlangen,
Alemanha, onde também moro.Casei-me em novembro de 2007.
Bruno Hoeltgebaum
Recebi esta mensagem com muita satisfação. Ela me fez
lembrar da agradável e interessante experiência que foi
participar do "Dr. Bessie F. Lawrence International Summer Science
Institute".
É um programa único que permite o amadurecimento e o
desenvolvimento de uma visão global, e isto, em um momento de
nossas vidas em que estamos tomando decisões importantes. O
contato com os pesquisadores, com a organização e,
principalmente, com os jovens de todo o mundo, fazem deste evento uma
oportunidade única de formação e
aperfeiçoamento.
Sou engenheiro agrônomo, com pós gradução em
gestão empresarial e MBA na Ohio University, nos EUA. Trabalho
em uma empresa Holandesa, Incotec,líder mundial em tecnologia de
sementes, e sou responsável por suas atividades na área
comercial na América Latina, além de desenvolver novos
mercados e coordenar dois segmentos mundialmente.
Prof. Dr. Roger Chamas

Participei da 15a versão do ISSI, em 1983. Naquele
ano, éramos quatro brasileiros no grupo de 66
pré-universitários. Minha área foi Biologia. A
introdução à atividade científica foi de
fato marcante e determinou muito de minha carreira. Era então
primeiro-anista de Medicina, e quando retornei estava com o firme
propósito de complementar minha formação na
área de Biologia Celular e Molecular, e por isto acabei
prestando novo vestibular para Biologia, onde cursei as disciplinas da
área mais afim à Biologia Humana. A experiência que
tivemos no ISSI, mostrando os diversos aspectos da atividade
científica, a livre troca de idéias, os valores que nos
eram passados nas diversas atividades foram marcantes e têm
pautado muito de minha atividade ainda hoje, como professor associado
na área de Oncologia Experimental na Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo.
Prof. Dra. Alicia Kowaltowski
Participei do ISSI em 1992, quando era primeiro-anista de medicina na
UNICAMP. Foi uma oportunidade fantástica trabalhar em
laboratório de pesquisa de ponta, visitar
instalações laboratoriais de primeira qualidade nas mais
diversas áreas e ter contato com jovens de todo mundo que, como
eu, tinham um interesse em Ciência. Ao voltar, procurei logo um
laboratório de pesquisa no Brasil em que pudesse realizar
pesquisa científica enquanto fazia a graduação.
Foi o início de minha atual carreira. Sou hoje professora
associada do Departamento de Bioquímica da Universidade de
São Paulo, onde coordeno um grupo de pesquisa dedicado ao estudo
de bioenergética mitocondrial.