Quarta-Feira, 10 de Março de 2010 / 
 
banner_top
 
07/01/09
CONIB responde ao Partido dos Trabalhadores

PRESIDENTE DA CONIB SE MANIFESTA DIRETAMENTE AO PRESIDENTE E A LIDERANÇA DO PT


Prezado Deputado Berzoini,

Causou-nos profundo espanto o teor do comunicado assinado por V. Exa., em nome do Partido dos Trabalhadores, relativamente ao atual conflito no Oriente Médio. Isto acontece, não só por se tratar de um manifesto de um Partido que se inspira nos ideais de justiça social, mas sobretudo por partir de uma pessoa por quem nossa comunidade guarda respeito e estima. A nota não leva em conta os fatos que ocorrem no Oriente Médio e, particularmente, na Faixa de Gaza, atendo-se apenas a questões recentes e de forma tendenciosa, sem levar em consideração fatores históricos de longo prazo.

Deputado Berzoini:

Se existem resoluções da ONU desrespeitadas, há que se retroagir seu exame a 1947, quando o eminente brasileiro Oswaldo Aranha conduziu a assembléia que deu origem ao Estado de Israel. Naquela época, a partilha da Palestina previa a criação de dois Estados, o que jamais foi aceito pelas linhas mais radicais do movimento palestino, como é o caso do Hamas, organização considerada terrorista também pela União Européia e pelos Estados Unidos. A afirmação de que o apoio a Israel restringe-se aos Estados Unidos não condiz com a realidade. Nem os países árabes, nem a própria Autoridade Palestina – legítima autoridade em Gaza, de onde foi expulsa pelo Hamas - até o presente momento, não tomaram atitudes drásticas contra Israel, assim como inúmeros países da Europa, que qualificaram a ação israelense como um movimento de legítima defesa. A comparação da resposta dada por Israel, após seguidos meses de ataques feitos pelo Hamas com morteiros e foguetes que mataram civis na região de Sderot, demonstra parcialidade e desconhecimento dos fatos.

É direito de toda nação garantir as condições de segurança de seus cidadãos e exigir que seus vizinhos tenham um comportamento adequado. Israel retirou-se da Faixa de Gaza em 2005 e, de lá para cá, vem se confrontando com o Hamas que se nega a reconhecer a existência do Estado de Israel, promovendo ações contra civis e não aceitando acordos feitos anteriormente com os próprios representantes palestinos. Assim, não restou alternativa senão responder com a força, contra quem não deseja dialogar, mas prega a extinção de um Estado membro da ONU, o que, até o momento, não foi objeto da atenção de seu Partido. Também, estranhamos o fato de o senhor, líder de um Partido surgido na luta contra a ditadura militar, alinhar-se no Oriente Médio às forças políticas da região que recusam a democracia.

Rejeitamos ainda sua comparação de qualquer movimento por parte de Israel com o exército nazista. Convido-o a conhecer um pouco da Historia dos campos de extermínio. Ali, as minorias assassinadas não carregavam morteiros e nem foguetes, não detinham conhecimento de técnicas terroristas nem se escondiam atrás de civis, de forma covarde, como fazem os líderes do Hamas. Muito pelo contrário, eram pessoas absolutamente desprotegidas que, por conta de um mundo que ficou em silêncio e que não tinham para onde ir, pagaram com suas vidas apenas pelo fato de terem nascido judias. Israel tem o direito de se defender e nós, cidadãos do mundo, o dever de lutar pela paz. E, para haver paz faz-se necessário que ambos os lados se respeitem e se aceitem, o que não é o caso do Hamas.

Cordialmente,

Cláudio Luiz Lottenberg
Presidente CONIB

 
  copyright © Fisesp 1946.2008