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30/08/10
Edição no Brasil de obra sobre o Holocausto é um marco

“Ninguém imaginava o que tinha acontecido, até que foram divulgadas as primeiras cenas dos campos de extermínio nazistas, causando um impacto enorme. Tive que sair do cinema”. Foi lembrando esta experiência que viveu como adolescente ao final da Segunda Guerra Mundial que José Gregori, secretário especial de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo e ex-ministro da Justiça, iniciou sua fala no debate realizado no dia 19 de agosto em São Paulo, para marcar o lançamento do clássico livro “O Holocausto – Uma História dos Judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial”, do historiador britânico Martin Gilbert.

Para Gregori, a obra é muito importante para combater o negacionismo, pois expõe em detalhes a barbárie. “É uma das mais informativas já escritas sobre o tema, extremamente bem documentada. Só mesmo um imbecil como Ahmadinejad [presidente do Irã] é capaz de dizer que não houve os fatos aqui narrados”, disse.

Luis Edmundo de Souza Moraes, professor adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e coordenador do Núcleo de Estudos de Política da UFRJ, fez uma reflexão sobre a importância da publicação do livro no Brasil: “As universidades precisam de obras assim, para a formação de professores e para a pesquisa. A ausência de literatura em português afasta as pessoas do tema”. Ele ministra cursos de extensão para professores do ensino médio e constatou o total desconhecimento sobre a história do Holocausto; o tema não é oferecido nos cursos de graduação em História.

Moraes notou que a luta contra a negação do Holocausto só pode ser feita com obras de qualidade, pois, segundo ele, os negacionistas dispõem de duas importantes vantagens: 1) a monstruosidade do crime ajuda a produzir a incredulidade; 2) há uma falta de consciência histórica sobre o tema, que leva o público leigo a não identificar fraudes. Para Moraes, há uma sensação de que o Holocausto é problema exclusivo dos judeus; e o nazismo, exclusivamente alemão.

Na conclusão do debate, Gregori afirmou que é importante vincular o estudo do Holocausto com a questão dos Direitos Humanos, para evitar novos genocídios; Moraes observou que tratar do tema qualifica o espaço público, trazendo elementos para uma educação humanista e pavimentando o caminho para uma sociedade plural, que valoriza a heterogeneidade.

O evento, que recebeu divulgação do site Direcional Escolas e do blog Antena Cristã, foi mediado pelo professor Samuel Feldberg, coordenador do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância da USP e um dos tradutores da obra. A professora Nancy Rozenchan, do departamento de Línguas Orientais, da FFLCH-USP, foi cotradutora.

Com edição original de 1985, “O Holocausto – Uma História dos Judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial” já teve 15 edições no Reino Unido e 18 nos Estados Unidos. Gilbert é o biógrafo oficial de Winston Churchill e autor de 82 livros.

A edição brasileira foi publicada pela editora Hucitec, com o apoio da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e do Centro de História e Cultura Judaica do Rio de Janeiro.


A partir da esquerda: José Gregori, Samuel Feldberg e Luis Moraes, no debate em São Paulo. Foto: Eliana Assumpção.


Os debatedores confraternizam na Livraria Cultura, em São Paulo. Foto: Eliana Assumpção.

Deputado federal distribui no Congresso obra sobre o Holocausto

Por considerar muito relevante para deputados e senadores o conteúdo do livro “O Holocausto – Uma História dos Judeus da Europa durante a Segunda Guerra Mundial”, do historiador britânico Martin Gilbert, o deputado federal Walter Feldman (PSDB/SP) distribuiu exemplares da obra no Congresso Nacional.

“Os dados contidos no livro são fundamentais para os políticos brasileiros, para que acrescentem, aos valores que já possuem, elementos de combate à discriminação, ao racismo, a ideologias não-humanitárias. A história do Holocausto tem que ser permanentemente lembrada”, disse Feldman.

FONTE: CONIB

 
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