Dilemas Éticos discutiu a inclusão LGBTQIA+ na comunidade judaica

6

A inclusão e a diversidade estão na pauta do dia. Para debater sobre esse importante tema, a   Congregação Israelita Paulista (CIP) realizou no dia  26 de maio, mais uma edição do Dilemas Éticos com o tema “Construindo a inclusão LGBTQIA+ em comunidade”.

Nesta data, o  rabino Michel Schlesinger recebeu a antropóloga norte-americana  Lilyth Ester, que se mudou para o Brasil para estudar sobre gênero, sexualidade e judaísmo, a Head de Parcerias com o Setor Privado da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Natasha Alexander e o coordenador do HINENIGrupo de Inclusão Social LGBTQI+ da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Ricardo Blay Levisky.

O evento online contou com a abertura do presidente da Fisesp, Luiz Kignel, que falou sobre a criação da comissão LGBTQIA+ da FISESP.  “Todo judeu se sente parte da comunidade e é representado pelo seu órgão maior, que é a Fisesp. Foi nesse sentido que criamos o Hineni, que  significa “Aqui estou” e  abre espaço para o mundo LGBTQI+. Esse grupo deve ser um exemplo para todos nós, pois não adianta apenas falarmos sobre pertencimento e acolhimento, precisamos agir e fazer as coisas acontecerem”.

Durante a live, os participantes trouxeram suas visões e vivencias sobre aceitação, preconceito, homofobia e diversidade nas empresas. Também relataram como se sentem sendo judeus  e LGBTQI+, bem como suas opiniões e aspirações sobre o que pode ser feito na comunidade judaica para que haja um maior inclusão e acolhimento desse público.

Ricardo Blay Levisky  explicou como foi criado e qual a proposta do Hineni. Segundo ele,  o objetivo da comissão é mostrar que existem muitas pessoas LGBT dentro da comunidade judaica, que é uma comunidade plural e diversa,  bem como trazer informações  sobre o universo LGBTQI+ , de forma a aproximar, inserir e coexistir. “Também temos em nosso grupo rodas de conversa e acolhimento com os pais, e a presença de  pessoas que ainda estão em busca de sua identidade sexual”, frisou ele.

Lilyth Ester destacou seu vínculo com a religião e explicou sobre o trabalho que desenvolve. “Sou uma mulher transexual e judia. Não sou religiosa, mas sempre senti um vínculo muito forte com o judaísmo e por esse motivo adotei o nome de Lilyth Ester. Através do que faço,  tento trazer uma visão global de aceitação de pessoas LGBT nos espaços de trabalho e empregabilidade”, afirmou..

Para Natasha Alexander, as pessoas, grupos e entidades precisam ser mais inclusivos e normalizar a temática LGBT. “Demorei muito para me entender, me aceitar e falar abertamente sobre minha sexualidade e confesso que o caminho não foi fácil. Depois que consegui me abrir com meus pais, que foram maravilhosos, decidi trazer minha companheira comigo e simplesmente apresentá-la aos meus amigos. Minhas amigas nunca precisaram dizer “eu sou uma mulher que sai com homens. Então eu também não preciso dizer “eu sou uma mulher que sai com mulheres”, constatou.

“Não podemos esperar que algum direito seja retirado da comunidade LGBT para que esse assunto venha á tona. Precisamos realizar  um trabalho de forma preventiva e a todo momento,  para que exista uma naturalização. A integração é um valor judaico. Deus fez as pessoas diferentes umas das outras justamente para que exercitemos, todos os dias, o pluralismo e a inclusão”,  concluiu o rabino Michel.

O evento Dilemas Éticos é uma  realização da Congregação Israelita Paulista (CIP) e conta com o patrocínio de: Itaú-Unibanco,  CSN, Bemol, GR Segurança, Focus Energia, Helbor e Rosset e apoio da Unibes Cultural e Lei Federal de Incentivo à Cultura.